Qual foi o primeiro contato que você teve com Body Mod e a sua primeira impressão a respeito?

Algumas tribos indígenas e alguns filmes em minha infância, como “O homem chamado cavalo” e “O retorno do homem chamado cavalo”. Fiquei impressionado com os rituais, e seus princípios, que me fizeram ter interesse e pesquisar a respeito.

Dizem que depois da primeira modificação, dá vontade de fazer outras. Foi assim com você? E qual foi a sua primeira modificação?

Não é exatamente assim, eu tenho uma idéia e um estudo envolvido atrás de cada mod. A questão não é que você não consegue mais parar, mas quando você fica satisfeito com alguma mod, fica mais motivo a fazer a próxima.
Comecei três furos em cada orelha com cinco anos e alargadores de 12 mm com oito anos.

Você começou bem cedo. Acredita que isso te ajudou a se desenvolver de modo a ver o mundo de outra maneira?

Seria de grande hipocrisia minha negar que nada mudou, pois quando você faz certas mods algumas portas se fecham e você acaba notando algumas dificuldades. Creio que essas coisas fazem você mudar um pouco a visão de mundo.

De fato existe muito preconceito na sociedade, como você lida com o mesmo? Já esteve em alguma situação realmente embaraçosa por conta disso?

O maior preconceito esta dentro de cada um, se eu me aceito do jeito que sou e não me isolo fazendo o “coitadinho”, pode ter certeza que o efeito do mesmo sobre você será bem menor. Eu procuro o não dar tanta importância para algumas coisas, pois se alguém o esta julgando pelo visual, pode ter certeza que é bem mais inferior que você. E sim, já estive. O preconceito não esta apenas em palavrões, sermões de cristãos, empregos recusados, mas diversas vezes apanhei na rua por conta disso.

Muitas vezes BM é vista como terapia. Como você se sente a cada nova modificação?

Sinto-me com dor, pois o pós é bem dolorido (risos). Brincadeira.
Eu sinto como “mais uma tarefa cumprida”. Terapia pra mim é suspensão. Eu me suspendo quase todos finais de semana desde meus 14 anos, Não encontro palavras certas para explicar suspensão, eu sempre digo que é melhor que sexo, a melhor experiência da minha vida. É a minha meditação.

Confira a entrevista completa na 2ª edição da zine.

Entrevistadora: Katherin Avancini.