Por: Camila Feltrin

A principio a Virada Cultural pode parecer muito divertida. Ver shows como de Maria Rita, Novos Baianos, Vanguart, Tom Zé, Zeca Baleiro, exposições, artistas de rua em 24 horas parece ser muito interessante.
Realmente é. A capital paulista teve clima de festa durante os dias 2 e 3 de Maio. Mas ao chegar ao centro velho de São Paulo as pessoas lembravam-se de uma coisa: que lá é reduto dos mendigos, pedintes e crianças de rua. O principal problema da Virada Cultural é o subdesenvolvimento país. O que é a principal diferença entre a Virada Cultural em São Paulo e as Nuit Blanche (Noites Brancas) que acontece em Paris.
É realmente um choque cultural para quem costuma passar ali de carro, ou apressado sem reparar lá em muita coisa. Chega a ser assustador a quantidade de pessoas miseráveis “participando” o evento, que certamente não foi feito a elas. Mas, como já fazemos todos os dias desde sempre, bastava ignorá-las e viver normalmente.
A organização informou que mais de 4 milhões de pessoas passaram pela região, número insuficiente para que a galera a margem da sociedade (mesmo vivendo no centro) passasse desapercebida.
No centro reinou o contraste social; desde mendigos vomitados ao lado de uma garrafa de pinga, a jovens limpinhos amarrando o cadarço do tênis que custa mais de R$500. De pessoas fumando maconha a policiais, muitos policiais por sinal, fazendo cara de mau.
Tudo parecia coexistir normalmente, mas não era raro um assalto ou um furto.
O chão da cidade estava imundo, mas as latas de lixos eram praticamente inexistentes. Não adiantou esbravejar contra o mau cheiro que exalava dos novecentos (segundo a prefeitura) banheiros químicos que transbordavam dejetos. A solução era pagar um real e enfrentar a fila no bar mais próximo para poder usar o banheiro.
Apesar de todos os problemas, foi um final de semana gostoso, com excelente atrações para todos os gostos. Mas o único problema que a organização da Virada Cultural pode resolver para a próxima edição, provavelmente ano que vem, é a questão da limpeza. O outro, e principal problema, ninguém faz ideia de quando será resolvido; a miséria.