” duo 6emeia foi criado e desenvolvido pelos artistas Anderson Augusto conhecido como SÃO, e Leonardo Delafuente conhecido como Delafuente, moradores do bairro da Barra Funda onde se iniciou o projeto com o intuito da mudança e transformação do cotidiano. O objetivo é modificar o meio ao qual todos vivemos propondo um novo olhar e uma reflexão em cima de temas gerados pelo trabalho inusitado e criativo, que consiste em pintar bueiros, postes, tampas de esgoto e qualquer outro objeto que construa o cenário urbano.
Com os bueiros pintados propomos um novo tipo de linguagem entre arte/cidade e arte/pessoas. Colocando a arte a serviço e alcance de todos. Mostrando que até o mais esquecido e indiferente objeto, se olhado com cuidado pode e xalar arte. Os bueiros já pintados pelo 6emeia são como gotas coloridas em um imenso balde cinza. O trabalho é bem recebido por moradores e transeuntes dos locais onde são pintados. Afirmando dessa maneira que a arte não necessita necessariamente estar vinculada ou pendura em paredes de galerias ou museus.”
Essa é a descrição da dupla 6emeia, inserida no site do projeto – http://www.6emeia.com/
Arteriazine entrevistou Leonardo Delafuente, que falou desde a origem do nome 6emeia até sobre a campanha publicitária na qual participaram com suas artes.
Arteriazine: O que é 6emeia? De onde surgiu esse nome?
Delafuente: 6emeia é um duo formado por Anderson Augusto (São) e Leonardo Delafuente (Dela) que realiza intervenções nas ruas da cidade de São Paulo, modificando e dando vida à bueiros, postes, caixas de luz, telefonia e todo e qualquer objeto que componha o cenário urbano. O nome vem do único horário em que os ponteiros do relógio estão juntos, um sobre o outro, apontando para baixo (18:30) e como fazemos intervenções nas ruas, no asfalto e calçadas, as pessoas tem de olhar para baixo, daí 6emeia!
AZ: Conte um pouco sobre sua relação com o Graffiti. Como começou, porque, onde?
Delafuente: Conheci através do São, que em 1996 já comprava revistas sobre o assunto e me mostrava. Sempre víamos e conversamos sobre o assunto. Nesse mesmo ano, marcamos de fazer nosso primeiro graffiti, como tínhamos pouco dinheiro, compramos apenas 2 latas de spray, uma preta e uma amarela, escolhemos um muro na Barra Funda e fizemos cada um, um desenho. Depois fizemos o segundo e sempre íamos atrás de novidades. Depois disso, perdemos um pouco o contato (São saiu da escola em que estudávamos e foi para outra) voltando a pintar e fazer trabalhos juntos no inicio do século.
AZ: O que você espera que o público entenda sobre suas intervenções urbanas? Qual o seu objetivo ao pintá-las?
Delafuente: Seria um tanto egoísta de nossa parte querer e esperar algo a nosso gosto de quem vê nosso trabalho. Simplesmente as fazemos. Mas desde o inicio queríamos algo impactante e simples. Vivemos na Barra Funda, um bairro central, que sempre sofreu com enchentes e chuvas, e que também tem muitos bueiros. Numa de nossas conversas, isso lá em 2006, pensamos em modificar a Rua do Bosque, aqui na Barra Funda, e dessa idéia surgiu os bueiros. Imediatamente começamos a pintar nas calçadas e ruas do bairro, oferecendo uma nova visão do cotidiano, quebrando-o e dando um novo significado, uma gota de cor na imensidão cinza.
AZ: É possível introduzir o graffiti no dia-a-dia das pessoas? Sem ser descriminado?
Delafuente: O graffiti é arte, e quem nesse mundo não gosta de arte? É uma forma de arte única, totalmente direta, você faz na rua e já tem um retorno na hora. Não existe entrada, portas ou paredes, é arte na rua, direta aos olhos. Acho que não é necessário mais introduzir, ele já esta no meio, já faz parte. A descriminação creio eu, não chega a soar como ‘uma descriminação’, é a opinião das pessoas. Você vai e faz, depois disso só existem dois caminhos, ou as pessoas gostam ou não. A partir do momento que você sai na rua esta sujeito a isso. É completamente normal. Se você não quer isso, que fique em casa pintando então.
AZ: Você já fez anúncios para marca de tênis “Asics”. É possível ganhar dinheiro com esse tipo de arte ou você é apensa um em um milhão?
Delafuente: Isso, fizemos um trabalho para uma campanha do tênis. Não, no meio publicitário não é possível ganhar muito dinheiro, só o dono da agência, claro. Eles na sua grande maioria são tão ridículos quanto às roupas que usam. Acham que sabem de tudo, que estão abafando e na verdade só reciclam idéias que copiam da gringa. O problema desse tipo de trabalho é que eles não vêem você como artista, e sim apenas como mais um que trabalha para a campanha vingar.
AZ: Quais são suas influências?
Delafunete: Vivemos a nos inspirar, tudo serve de influência/referência quando se esta disposto a ver e ouvir. Temos rascunhos de idéias dos bueiros, mas na maioria das vezes, criamos algo na hora. Paramos e ouvimos o que os bueiros nos pedem. Mas artisticamente gostamos de muita coisa, desde Da Vinci, Rubens, Rembrandt, Delacroix, Cézanne, Klee, Pollock, Klint, Samson Flexor, Portinari, Di Cavalcanti, Magritte, Dali, Dave McKean, Sam Keith, Tomokazu Matsuyama, OsGemeos, Alto Contraste, Ozi, Speto, Vitché, Blu, Magoo McFly e tantos outros.
AZ: Existe alguma manifestação política/social envolvida com suas artes?
Delafunete: Creio que sim. Não temos apoio/patrocínio de nada nem ninguém. Tivemos a idéia e a colocamos em prática. Acho meio que falta isso na população. Vai e faz. Você vai melhorar tua vida e a dos outros? Não só no ato de pintar, o sentido de viver em ‘sociedade’ ta se perdendo cada dia mais! Quem muito olha para o céu só vê a chuva se aproximar. E também acho que tudo tem mais de uma única maneira de ser visto. É só questão de parar o mundo. E ver.
AZ: Você já sofreu alguma repressão de autoridades?
Delafunete: A começar pelos pais e terminar com o prefeito! Rsrsrs
Nada muito sério que impeça o percurso natural.
AZ: Quais são suas perspectivas para o futuro do graffiti no país?
Delafunete: Dificil só projetar sobre isso. Eu espero que seja o melhor possível. E não só o graffiti, que o país seja e tenha um futuro glorioso também.
Conheça mais sobre 6emeia: http://www.6emeia.com/index.php








